sábado, 6 de janeiro de 2018

Roberta Kelly - A Chave - 2º Capítulo




Capítulo Dois

_Não podia ter corrido pelo canto da estrada, mas o sol queimava e então procurei pela sombra. De repente uma árvore sinuosa apareceu e Mascote não teve tempo para parar.
Bati com violência em um dos galhos e fui jogada longe. Só então Mascote parou e voltou para perto de mim. É por isso que ele tem esse nome. Parece mais um cachorro que acompanha seu dono do que um cavalo.
Sentei-me com dificuldade e Alice não demorou a aparecer.

_Layla, desculpe-me esqueci de avisar sobre essa árvore, mas não pensei que você fosse cavalgar pelos cantos.
_Tudo bem Alice. O erro foi meu, não devia ter quebrado as regras, mas esse sol está forte demais. Não podemos contar que caí porque corríamos; apesar de minha mãe já saber a verdade.
_Tudo bem. A casa de meus avós está perto, consegue montar para chegarmos lá?
_Acho que sim.

_Montamos novamente e fomos mais devagar. Eu não sentia dor por causa do sangue quente pela corrida, mas não fazia ideia da gravidade do ferimento.
Chegamos rápido, e então depois do susto que demos nos avós dela, eles me colocaram em uma charrete e o condutor levou-me de volta para casa. Alice foi puxando meu cavalo atrás de nós.
Quando estávamos chegando vi que havia pessoas estranhas em minha casa conversando com meu pai.
Não deveria ser por mim, pois a única forma deles saberem do acidente seria quando eu chegasse.
Alice saltou do cavalo e entregou os dois animais para um dos empregados da fazenda. E veio ajudar-me a descer da charrete.
Entramos sem causar suspeita e então eu soube o que estava acontecendo.

_Filha, sua mãe piorou e o médico está com ela. Esses são Sra. Amélia e seu sobrinho Scott.

_O primeiro impacto foi avisar-me sobre mamãe e apresentar as visitas.

_Olá Sra. Amélia, Senhor. (Disse um pouco envergonhada pela sujeira que me encontrava).
_Querida, você está toda suja, o que aconteceu?
_Papai, não se assuste. Encontramos uma cobra a caminho da casa dos avós de Alice e meu cavalo saltou. Caí e me machuquei.
_Deixe-me ver.
_Papai, não posso tirar minhas roupas na frente das visitas.
_Tem razão. Suba e eu já irei.
_Senhor Grace, não acha melhor o Dr. Thomas olhar o machucado dela?

_Ouvi quando Sra. Amélia conversava com meu pai.

_Tem razão. Pedirei a ele que dê uma olhada. Fiquem a vontade.

_Meu pai subiu e pediu ao médico que olhasse meu ferimento. Enquanto eles não chegavam, pedi a Alice que me ajudasse a preparar um banho para retirar a terra. Mas não deu tempo.

_Santo Deus, Layla como conseguiu chegar aqui com o braço assim?

_Dr. Thomas estava paralisado. O machucado era grave e eu ainda não tinha percebido. Acho que entrei no que chamam de ‘choque’. O que era improvável, estava mesmo era preocupada com minha mãe, mas não me davam espaço para saber dela.

_A dor não é grande Dr. Thomas.
_Vamos ver isso. Você está com o braço quebrado e grande parte está na carne. Não acredito que não esteja com dor. Não tomou nada alcoólico Layla?
_Não sei. O avô da Alice deu-me alguma coisa para dor. Mas para dizer a verdade não senti nem o gosto.
_Bom, vou lavar, enfaixar e pôr uma tala, mas você terá que seguir para capital o quanto antes. Sinceramente não sei como proceder com algo assim. A medicina prefere outro tipo de tratamento, mas tem um médico muito respeitado por tentar...

_Ele parou de falar na minha frente. Desceram conversando sobre o assunto e esqueceram minha mãe, mas eu não. Finalmente fui até o quarto dela e sentei-me na beirada da cama. Ela me viu com o braço quebrado e disse que o acontecido no rio não era o que a preocupava, pois a dor no peito continuou depois que saí. Fui o mais forte que pude na frente dela. Ela pediu água então fui buscar.
Passando pela sala, vi que todos haviam ido embora. Alice ainda estava ali e disse que subiria para arrumar minhas roupas, pois partiria bem cedo no dia seguinte. Peguei a água e levei para minha mãe. Como eu iria para longe, justo quando ela precisava de mim?

_Layla.
_Sim papai.
_Você irá amanhã com Marie para a capital. Acabei de pedir ao pai dela.
_Mas mamãe está doente.
_Não se preocupe. Tomarei conta dela. O Dr. Thomas deixou o pedido de internação e um pedido de acompanhante para Marie poder ficar com você no hospital.
_Quem eram aquelas pessoas papai?
_Estavam vendo algumas terras na vizinhança. Como não sabiam de quem era, resolveram entrar aqui na fazenda e perguntar.
_Eles ouviram sobre meu braço?
_Não. Mas saberão. Você irá com a Sra. Amélia na cabine dela no trem que sai amanhã. Tivemos sorte por ela ter entrado em nossa propriedade.

_Bom, eu realmente estava com vergonha. Queria me trancar no quarto e chorar. Mas Alice estava arrumando minhas coisas.
Eu não tinha motivos para ter vergonha, mas quando olhei aqueles olhos azuis na sala de minha casa...
Parecia um sonho, foram segundos, e eu não consegui esquecer o jeito como ele olhou para mim. Que tolice, achar que aquele elegante cavalheiro olharia de alguma outra forma para mim a não ser por pena.
_Mamãe abençoou a viagem e eu chorei com o pensamento de não poder cuidar dela. Ela pediu que eu fosse educada e cordial com as pessoas, pois dinheiro não era tudo na vida. O mais importante era a educação herdada dos pais.
Marie chegou para dormir comigo e assim sairmos bem cedo.
Alice foi embora com a charrete que me trouxe. Ela ficou decepcionada e eu também. No fundo eu ficaria mais segura se ela me acompanhasse. Mas meu pai não quis incomodar a família dela.
Marie não ficou triste quando percebeu que eu preferia Alice. Ela até entendia. Nós também somos amigas, não tanto, mas ainda somos.
_Amanheceu. Eu não havia dormido quase nada devido ao braço todo enrolado, mas tive que ser forte e sair da cama. Depois dos últimos preparativos, fui despedir de minha mãe. Ela ardia em febre e meu pai disse que ficaria com ela o tempo todo.
Marie e eu subimos na charrete e seguimos até a estação. Quando chegamos, fomos guiadas por um dos enfermeiros que viajam no trem, a fim de auxiliar os doentes ou socorrer os passageiros se for preciso.
Marie sempre atrás de mim.
No dia em que parti, eu realmente estava sem emoção definida. Triste por deixar minha mãe, mas feliz porque seria uma experiência e tanto.
Só depois de ver seu sobrinho na cabine é que lembrei que viajaríamos juntos. Aqueles olhos azuis...
“Ele não existe.” Pensei.

_Com licença. Sou Layla Grace e essa é Marie Mayson, minha prima.
_Olá querida. Sou Amélia Newton e esse é Scott Dawson meu sobrinho. Sentem-se, logo partiremos.
_Ontem quando desci, a senhora havia partido. Desde já gostaria de agradecer por sua gentileza em deixar-nos viajar aqui.
_Não precisa agradecer querida. O que puder fazer para diminuir seu sofrimento eu o farei.

_Fiquei sem graça, pois, todos me encaravam naquele momento.
Logo todos estariam familiarizados e felizes. Sra. Amélia sugeriu um jogo de cartas, mas eu não podia me mexer então não participei. Seu sobrinho não quis jogar.
No começo achei que fosse tímido ou simplesmente não queria constranger-me. Afinal só eu não tinha os movimentos dos dois braços.
Então Marie trocou de lugar com ele e foi toda animada jogar cartas. Nós gostávamos muito, mas sempre éramos excluídas por nossos pais da mesa de jogos improvisada nos finais de semana em que havia festa.
Scott sentou-se ao meu lado. No início foi um pouco constrangedor. De repente ele falou comigo.


3º Capítulo no dia 22/01/2018

;)

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Roberta Kelly - A Chave - 1º Capítulo


 Muitos devem me conhecer só como a 'garota' que dá opiniões sobre livros e filmes; mas também sou escritora. (Risos)
 Minha primeira 'obra' foi lançada em um site de livros por demanda, e não ficou tão conhecido como eu gostaria, todo escritor espera por isso; mas eu não parei por aí. 
 Tenho no total onze livros escritos, mas a falta de tempo para digitá-los e formatá-los tem sido cruel e agora quatro anos depois eu não tenho nenhum novo para mostrar aos meus leitores.
 Pensando nisso, começo a publicar os capítulos de meu primeiro livro enquanto digito o próximo (eu escrevo em cadernos antes, risos.) 
 E neste Natal, deixo como um singelo presente o primeiro capítulo.
 Advirto: não contém cenas explícitas. É um romance à moda antiga.

 Desejo a todos um Feliz Natal e que cada um em sua crença esteja cercado de saúde, paz e amor ao próximo! 
 E aos que creem que Jesus faz mais um 'aniversário' entre nós, que Ele esteja com vocês não só hoje, mas em todos os dias de suas vidas!

 (É minha primeira obra, sejam bonzinhos comigo. Muito obrigada e boa leitura!)

***





 
Agradeço a Deus pela inspiração, paciência e persistência.


Dedico este livro à minha família e aos amigos.
Obrigada pelo apoio, opiniões sinceras e por estarem sempre ao meu lado.




 
Pensei ter visto o sol,
Era a lua a brilhar...
Pensei ter visto o oceano,
Mas era o deserto, vertigem causar...
Pensei ter visto o amor,
Mas o amor não vem para machucar...
E então encontrei você;
Sol e lua,
Oceano e deserto,
E o amor mais puro que alguém pode imaginar...


Layla A. Grace







Capítulo Um

_Então Srta. Grace, conte-me tudo. (Delegado)
_Creio que não consigo relembrar aqueles momentos. (Layla quase chorando)
_Vamos lá, você não deve ter muito em que pensar na sua rotina diária, então certamente pensará dias e mais dias no que aconteceu. Então pense com calma, não deve ser tão difícil. (Delegado)

     Layla não acreditava que aquele delegado estivesse mesmo tão imparcial ao que lhe acontecera. E menos ainda insinuar que sua vida fosse fútil e vazia.
Mas ao contrário de querer defender sua vida nesse sentido, ela preferiu expor-se um pouco mais para o delegado e o escrivão.
     Com uma atitude de coragem, decidiu que não choraria e seria bem detalhista. Mesmo que doesse, ela sabia que no fundo sempre foi forte.

_Delegado Logan, estou certa de que não consigo falar diretamente no assunto. Porém se tiver um pouco de paciência em ouvir, gostaria de relatar como vim parar aqui nesta cidade, incluindo tudo o que fiz no dia anterior à minha partida de casa.
_Muito bem Srta. Grace, mesmo porque não devem ser dias muito longos. Por favor, comece. Estou curioso para saber o que a trouxe aqui. Escrivão tome nota.
     Layla, feliz por poder mostrar ao delegado que nem toda moça de família é igual, ajeitou-se na cadeira e começou a contar como foi parar na delegacia desse ser tão insensível.

_Eu tenho uma amiga, e que amiga. Alice é o nome dela. Crescemos juntas, como irmãs. E ela é louca assim como eu. Dá para imaginar o tipo de amizade. Tudo o que é errado para duas jovens, nós fazemos.
_Srta. Grace, está dizendo que é uma fora da lei?
_De maneira alguma Delegado, e se puder por gentileza esperar que eu termine, saberá o tipo de loucuras que cometemos.
_Está bem, continue.
_Como o senhor sabe, vivemos em uma época que tudo é proibido para mulheres, até mesmo estudar.
 Mas nossas mães vendo nossas vidas tomarem o mesmo rumo que a vida delas, permitiu que estudássemos escondidas de nossos pais.
 Então desde pequenas surgiu uma afinidade, uma amizade grande e sincera. Tão grande que teve suas consequências.
 Alice e eu sempre fizemos tudo com planejamento. Nossas aulas de escrita e leitura. Aulas de piano, bordados e costuras. Estávamos muito unidas em tudo. E é claro, para aprontarmos estávamos juntas também.
_Desculpe interromper, mas por que diz ‘estávamos’? Não pretende fazer mais nada com sua amiga Alice?
_Depois do que houve, os pais dela não deixarão. Talvez nem nos vejamos.
_Continue.
_Certa vez incomodadas com a cor de nossa pele, resolvemos tomar sol. Isso é inaceitável, pois mulheres só ficam à mostra para os maridos. Fomos então para um lugar escondido e tiramos as roupas. Forramos o chão com lençol que pegamos em casa e deitamos. Passamos horas ali e fomos para casa. Minha mãe levou um susto enorme quando nos viu, pois estávamos tão vermelhas que ela logo percebeu o que fizemos. Então, antes que os homens chegassem do trabalho, ela fez com que tomássemos banho e vestíssemos vestidos mais fechados. Assim, ela diria que caminhamos demais pelo sol.
Essa desculpa funcionou, mas nós sofremos muito por causa do calor que fazia.
_Srta. Grace, no que exatamente isso acrescenta no que ocorreu aqui?
_Só para os senhores pararem de me tratar como uma mocinha indefesa, que só aprende a bordar e cozinhar para quando casar. Estou sendo tratada como fútil desde que cheguei aqui. Então por favor, não interrompa novamente.

     A partir daquele momento Layla se fechou em seus pensamentos e começou a falar da maneira que lembrava.
Sua vida com a amiga, o porquê de sua partida e o que aconteceu para que fosse necessário sua ‘visita’ ao Delegado Logan.

_Então, a última aventura que fizemos, teve uma consequência maior...
Alice foi para minha casa um dia antes, e dormiu por lá, com o consentimento dos pais é claro.
 Durante a noite, planejamos tudo o que faríamos nos dois dias seguintes. Ela queria fazer tantas coisas ao mesmo tempo, que um dia não bastaria.
 Decidimos então que, depois de tomar banho no rio o que era proibido da forma que fazíamos (quase sem roupas) nós apostaríamos corrida com nossos cavalos até a casa de seus avós. Eu não os conhecia, pois se mudaram há pouco tempo de volta.
 Acordamos entusiasmadas, e minha mãe percebeu que novamente aprontaríamos. Ela não disse nada na presença de meu pai. Teve medo que ele nos castigasse e Alice nem é da família. Depois que ele saiu, ela veio conversar conosco. Sua febre estava branda pela manhã e por isso não tive remorso em deixá-la algum tempo sozinha. Depois de dias na cama, ela finalmente estava melhor.

_Layla e Alice, por favor, não façam nada de exagerado hoje. Meu coração está apertado, sinto que vocês podem se machucar.
_Tudo bem mamãe, não faremos nada que já não fizemos antes. Assim, sabemos que não há perigo.
_Quais são os planos meu bem?

_Ela quis saber, e eu não sabia se contava a verdade. Resolvi que sim, pois a bronca seria menor no fim do dia.

_Vamos tomar banho no rio e depois apostaremos corrida de cavalos até a casa dos avós de Alice.
_Sei que são boas com cavalos, mas cuidado e não esqueçam as regras básicas.
_Já sei.
_Não prendam o pé no estribo e não colem ao canto da estrada. (Dissemos juntas e pareceu engraçado, então rimos).

_Tomamos nosso café e fomos ao banho, o dia estava muito quente. 
 Não percebemos, mas fomos seguidas até o rio, e chegando lá ouvimos passos atrás de nós. Resolvemos então não tirar nossas roupas. Brincamos na água algum tempo, mas não teve muito prazer em fazer isso, pois sabíamos que alguém nos observava.
 Voltamos para casa e contamos o acontecido a minha mãe. Ela disse que quando seu coração fica daquele jeito, ela tem muito medo.

_Talvez se vocês tivessem tirado suas roupas, poderiam ter sido atacadas.
_Mas somos duas, e ouvimos passos que pareceram de uma pessoa. Poderia ser até mesmo um animal.
_De qualquer forma, foi prudente não terem tirado.
_Vamos nos trocar para o almoço, mamãe.
_Vão. Antes que fiquem doentes.

_No quarto, enquanto nos trocávamos, Alice disse ter visto dois ou três homens nos espiando. E não deveria ser a primeira vez, mas não fizeram nada em respeito a nossos pais.

_Alice. Por que não me disse isso lá?
_Não quis te assustar. Também seria pior. Se nós saíssemos sem entrar no rio, eles provavelmente teriam nos agarrado.
_Mas poderiam ter feito do mesmo modo.
_Não. Nossos vestidos têm muitas camadas, e molhados deixariam qualquer um molhado também, além de dar muito mais trabalho para tirar.
_Você tem razão. Tivemos sorte hoje. Acho melhor não irmos mais ao rio.

_Fiquei pensando sobre aquilo e conclui que devia ser alguém que conhecia nossos hábitos.
 Passei a olhar os homens com raiva. Mas só os da fazenda e das fazendas vizinhas.
 Preparamo-nos para o almoço e descemos para cozinha. Mas encontramos minha mãe na sala de jantar, triste e abatida. Fiquei preocupada e quis saber a razão de tanta tristeza.

_Não é nada minha filha, eu estava pensando quem poderia estar olhando as minhas garotinhas com tanta crueldade.
_Não se preocupe mamãe. Decidimos que essa travessura nós não faremos mais. Para nosso bem.
_Fico feliz em ouvir isso. Venha, ajude-me com os pratos.

_Minha família herdou uma fazenda grande e bonita, mas com muitas dívidas. Meu pai foi vendendo partes dela para pagar as pessoas, mas eu nunca vi ninguém indo lá cobrar nada. Ele deve ter feito esse tipo de negócio o mais reservado possível.
 Vivíamos com pouco recurso, tínhamos que ajudar com as tarefas da fazenda para economizar.
 Alice sempre me deu presentes úteis em meus aniversários. Ela é filha única e seus pais bem de vida. Ricos para ser exata. Então sempre que pedia um vestido novo para seu pai, ele dava-lhe dois e dizia para repartir comigo. Então me presenteava com um e eu não podia recusar, porque precisava.
 Sempre me senti inferior a ela, mas ela nunca se importou com minhas condições financeiras.
 A única coisa que meu pai não mexeu foram os cavalos. Eu tenho o meu e disse a Alice que poderia ficar com um enquanto meu pai não os vendesse. Ela escolheu Ventania e o meu chama-se Mascote.
 Naquela tarde, após o almoço, decidimos deixar a comida fazer digestão antes de sairmos como loucas.
 Bordamos um pouco e decidimos que era hora.

_Mamãe?

_Não a encontrava em lugar algum. Finalmente fui até o quarto, ao qual tinha medo, pois ficou ali tantos dias e eu não desejava que ela voltasse para cama.
Encontrei-a no quarto, mas para minha felicidade ela arrumava o baú.

_Mamãe, estamos indo.
_Não demore Layla. Sabe que seu pai briga comigo quando não encontra você.
_Não demorarei. Até mais tarde.

_Eu saí com um pouco de pressa. Não gostava de saber que fui motivo de briga do meu pai com minha mãe, principalmente porque nós temos que ouvir de cabeça baixa, sem nada responder.
 Acho que por isso não me interessava por ninguém. Fui criada livre e aprendi a não querer ser tratada como ela era. Fazia de conta na frente do meu pai, que era a mais comportada de todas as moças de minha idade. Mas Alice e eu éramos as piores em comportamento, claro, opinião das moças da cidade e suas mães.
 Montei em meu cavalo e Alice no seu.
 Saímos da fazenda vagarosamente para não chamar a atenção de ninguém. Quando já não podiam nos ver, paramos e posicionamos para a corrida. Mudamos nossas pernas de lugar. Afinal não podíamos montar feito homem na frente de ninguém. A não ser que encontrássemos pelo caminho.
 Quebrei um pequeno galho de uma árvore e me posicionei. Joguei-o bem alto e quando ele caísse seria a largada.
 Mascote era mais veloz que Ventania. Alice nunca admitiu. Começamos a correr. Como esperava, Mascote atingiu uma velocidade incrível deixando Alice com Ventania para trás.
 Ela explicou o caminho e então seguimos em frente.
 Foi em uma curva da estrada, esquecendo o segundo mandamento das corridas, que caí.



 2º Capítulo no dia 06/01/2018

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