sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Roberta Kelly - A Chave - 25º Capítulo

(Sem imagem)


Capítulo Vinte e Cinco

     Chegou o dia do julgamento e ela ficou com medo deles. Estava com raiva por ter sido enganada por Scott. O juiz a olhou e disse:

_ Srta. Layla Anabelle Grace, conte-nos o que aconteceu desde o início. Há muitos fatos confusos e creio que a senhorita poderá esclarecer. Lembre-se que está sob juramento de dizer somente a verdade.
_ Sim meritíssimo.

     Layla começou seu longo depoimento e o juiz parecia muito interessado, porém confuso. Começou contando como conheceu Scott e seu repentino interesse por ela. A desculpa que deram para estar na fazenda àquela tarde. A sorte que eles tiveram por ela se acidentar. O que ocasionou a viagem e com isso o interesse de Sra. Amélia em conquistá-la para o sobrinho. A sua chegada no hospital e o interesse do Dr. Born por ela. A tentativa do beijo frustrada e a proibição dele ao seu quarto. A cirurgia de Marie na noite seguinte e como ficou preocupada com a briga entre o Dr. Born e Scott.

_ Briga?
_ Não foi bem uma briga meritíssimo, mas fico constrangida em dizer que era disputada. Faz parecer convencimento de minha parte.
_ Continue, por favor.
     Layla continuou contando tudo o que aconteceu ao juiz, e as pessoas que acompanhavam ficavam cada vez mais incrédulas com a história. Contou como Scott planejou o crime ocorrido anos atrás, para incriminar o Dr. Born e como ela quase acreditou na inocência dele. Pois o histórico de criança diz que o Dr. Born sempre era o culpado, então seria fácil incriminá-lo. Mas o Dr. Born assumia a culpa para que o Scott não apanhasse.

_ Como sabe tudo isso?
_ Ainda tem muito meritíssimo. O senhor entenderá.
_ Continue.

     Layla contou como o Dr. Austin pediu para que ela ajudasse a resolver esse mistério, já que ambos juravam inocência. Como foi enrolando a ambos para que confiassem nela e contassem a verdade. O comportamento de Scott quando ela foi passear com Dr. Born. Como o Dr. Born e Scott foram ao socorro da jovem. Layla disse ao juiz que durante seu sequestro teve muito tempo para juntar as peças.
     Contou também como conheceu seus parentes que nem sonhava existir. E a felicidade de novamente poder ter uma família. Como tudo aconteceu no trem, e as conversas que ouviu. Foi assim que juntou as últimas peças para que entendesse o que aconteceu.

_ Meritíssimo, penso que tudo o que houve, teria ocorrido mesmo que eu não tivesse caído do meu cavalo. Só que jamais chegariam aos assassinos de minha família, incluindo eu. Tornei-me o alvo. Consegui ser a chave da verdade.
_ Srta. Grace, temo que tenha razão. Vamos fazer um recesso e voltaremos com as outras testemunhas.

     O julgamento continuou e ela acompanhou junto com os outros civis. Quando chegou a vez de Scott ele simplesmente disse:

_ Eu a mataria na frente de minha esposa como prova de meu amor. E seria muito fácil principalmente se eu pensasse no Born. Ele tirou tudo de mim e eu tiraria dele.

     O juiz perguntou há quanto tempo ele estava com Lauren e ele surpreendentemente disse que desde a escola. Então Sra. Amélia foi presa por acobertar os crimes do sobrinho.

_ Mas por que você escolheu a Srta. Grace, se você não sabia do parentesco dela com o Dr. Born?
_ Fomos até a fazenda dela, pois minha tia suspeitava que ela fosse a Grace, que a Sra. Sophie queria tanto conhecer. Na verdade ela queria conhecer a família, mas com a morte dos pais dela, só restava Layla. E ela é bonita, se eu conseguisse que Born se interessasse por ela, seria perfeito. Eu mataria a última Grace de uma das famílias e namorada de Born ao mesmo tempo. Tudo o que fiz foi para me vingar de Born, mas deixei muitos fios soltos e jamais pensei que Layla seria tão inteligente. Eu estava começando a gostar dela de verdade por isso fui acompanhar Marie de volta para casa. Não a fiz mal porque nada tinha contra ela.
_ Sr. Scott, o único motivo para o senhor fazer mal a Srta. Grace foi o ódio pelo Dr. Born?
_ Não meritíssimo. Depois da Layla, seria a família dele.
_ E por que tudo isso?
_ Por culpa da família Grace, uma moça de minha família se matou e com isso levou um pouco de todos nós.
_ Há quanto tempo isso aconteceu?
_ Cento e cinquenta e dois anos.
_ Por favor, Sr. Scott. Está dizendo que essa sua vingança é por parente que nem ao menos conheceu? Darei a sentença após um recesso.

     Com essas declarações todos foram presos.

_ Todos presos. E agora?
_ Agora vou voltar para fazenda.
_ Mas e nós?
_ Vou preparar as coisas para nosso casamento.
_ Eu queria que ficasse.
_ Born, podemos esperar mais um mês, não podemos?
_ Claro.

     Layla fez compras para o casamento, já que em sua cidade não encontraria, sendo preciso encomendar. As costureiras de lá não eram nada discretas e a última coisa que queria era sua vida exposta naquele lugar.
     Depois de alguns dias ela voltou para casa.

_ Layla você voltou!
_ Claro tio Joseph, não poderia deixar Marie viajar sozinha e aqui ainda é minha casa.
_ Eu sei. Só pensei que faria o casamento por lá.
_ Claro que não, será na fazenda e o senhor me levará ao altar, esqueceu?
_ Bem, quanto a isso teremos que conversar. Mas em breve você vai saber. Só espero que um dia me perdoe. Eu não tive como dizer não e...
_ O que aconteceu tio? Não irá me acompanhar?
_ Outra hora falamos nisso. Você tem muitas coisas para resolver na fazenda. Está tudo uma bagunça.
_ Tudo bem tio. Vamos então. Estou cansada e quero ver como as coisas estão.

     Layla seguiu da estação para a casa na fazenda em silêncio. Não era boba e sabia que algo estava acontecendo. Achou estranho ninguém cumprimentar-lhe pela morte de seus pais. Sentiu que não era importante para ninguém, nem mesmo os que se diziam amigos. Se seu tio se recusasse a acompanhá-la, já não seria surpresa.
     Passaram-se alguns dias e quase tudo estava pronto para o casamento. Flores em vasos foram replantadas em todo o jardim. O lugar do altar já estava sendo preparado. Os convidados ficariam debaixo de uma cobertura, caso chovesse. Layla organizava as funções de cada um para serem realizadas no dia a dia. Não passava muitas coisas de uma vez para não deixar seus ajudantes sobrecarregados.
     Ela estava feliz. Mas ainda sentia muito a falta dos pais. Arrumou todos os cômodos da casa, mas não tirou nada do lugar no quarto dos pais. Só arrumou tirando o pó e trocando a roupa de cama.
     Nos outros, ela colocou cortinas novas, toalhas de mesa também novas e mandou pintar de outra cor. Haveriam convidados e ela queria tudo perfeito.
     Arrumou a bagunça que seu tio dissera antes. Ele falava dos documentos de seu pai. Os empregados estavam sem receber, já não queriam trabalhar. Achavam que ela não daria conta e começavam a ir embora.
     Ela foi ver o pai de Alice e perguntou como teria o dinheiro do pai para solucionar os problemas da fazenda. Claro que ele deu-lhe todas as informações e sugeriu ajudá-la, mas ela não quis. Agradeceu e disse que devia isso aos pais, pela confiança no último momento da vida deles. Com o dinheiro em mãos, mas sem que seu tio soubesse, pediu que ele reunisse todos os empregados. Perguntou a cada um quantos dias foram trabalhados e que eles não receberam. Com a informação em mãos, anotando tudo, pediu que eles não fossem embora, e no fim do dia seguinte, depois do trabalho a procurassem para receber. Eles confiaram nela, e todos voltaram ao trabalho. Alguns ela colocou para realizar as obras do casamento e outros no jardim, outros na estrada até a divisa, para que as pessoas vissem que ela sabia sim enfrentar um trabalho tão difícil como esse.
     Layla estava confiante, após alguns dias já havia preparado quase tudo. Precisaria contratar mais pessoas, mas preferiu não fazer ainda, para não chamar mais atenção do que já estava. Tudo encaminhado, ela chamou Alice para ajudá-la a preparar-se. Alice estava com ela quase sempre, e não podia dizer ao Born como ela estava se saindo. Ela queria que ele se surpreendesse.
     O grande dia chegou. Todos os convidados em seus lugares, os músicos a postos, Layla aguardava somente a chegada do noivo, pois sua família já estava presente.
     Foi quando bateram em sua porta. Ela abriu e...

_ Papai? Mamãe?
_ Nós não podíamos perder seu grande dia filha.
_ Como? Eu recebi as cartas. Encontrei a casa vazia e abandonada. Chorei muito achando que estava sozinha. Como puderam fazer isso comigo?
_ Layla, não chore, vai estragar a maquiagem.
_ Como não chorar, estou me sentindo enganada, pelos próprios pais. Pela segunda vez.
_ Layla, a culpa de tudo isso é minha. Mas podemos explicar. Quando Amélia esteve aqui, vi em seu pescoço o símbolo de nossos inimigos. Há muitos anos os antepassados dela começaram a nos caçar feito animal, mas você já sabe sobre isso. Vendo o estado de seu braço e sua única chance de cura estar nas mãos deles, arrisquei sua vida entregando-a para aquela viagem. Pedi que Marie fosse com você, pois já desconfiava de seu problema de saúde. Não sabia o que era, mas notava que ela estava ficando frágil e apática.
_ Como sabia que não nos faria mal?
_ Não sabia, por isso mandei dois empregados da fazenda para vigiar. Nós estávamos sabendo de tudo o que acontecia e quando fomos informados do seu romance com Scott decidimos fingir nossa morte para poder ficar mais perto sem sermos notados.
_ Mas por que só voltaram agora?
_ Sua mãe estava realmente doente e precisamos ficar um pouco mais para que terminasse o tratamento. Além disso, queria ver como você lidaria com tudo isso. Sei que fiz você sofrer filha e espero que possa me perdoar algum dia. Eu sempre quis um filho e quando você nasceu tudo mudou. Eu não queria um filho porque seria homem, eu queria um filho porque ele saberia se cuidar. Então planejei tudo para que você não sofresse da forma que as mulheres sofrem. Por isso permiti que estudasse e tivesse seus momentos de aventura. Isso fez você e sua amiga Alice não serem bem vistas na cidade, porém não podia impedir que fosse feliz. Sinto muito Layla, por ter mentido tanto para você.
_ Eu perdoo sim papai, mas com uma condição.
_ E qual seria?
_ Me acompanha até o altar?
_ Claro filha. Eu amo você!

     O noivo havia chegado e já estava nervoso, pois Layla ainda não dera sinal de vida e o tio Joseph estava lá, num canto sentado calado. Ninguém sabia o que estava acontecendo e já começavam a dizer que a noiva desistira do casamento, nesse momento a música começou. Layla estava de braços dados com ninguém menos que seu “Pai?”. Todos ficaram surpresos, principalmente o noivo. Seria uma longa explicação que não foi dada. Só:

_ Tiramos férias pessoal.

     Ao chegar ao altar Layla não conteve uma lágrima.

_ Filho estou a te conhecer nesse momento, mas se conquistou o coração de minha filha, certamente conquistará o meu. Cuide bem do meu tesouro.
_ Claro Senhor Grace.
_ Layla filha, eu te abençoo em sua escolha. Seja feliz.
_ Obrigada papai.

     A cerimônia não vem ao caso, porque não aconteceu. Todos preocupados com a noiva, que nem notaram que o padre não estava presente. Os noivos resolveram que a festa aconteceria. Afinal, não foi culpa de ninguém o padre sofrer um acidente indo para a fazenda.

_ Layla, você viu o que aconteceu?
_ O que Alice? Vai dizer que o Born não é o rapaz certo e os anjos vieram avisar? (Risos).
_ Não. Ele é o seu rapaz certo, mas falta o meu.
_ E o que isso tem a ver com o casamento?
_ A aposta Layla.
_ Vai dizer que acredita nisso? Fazíamos por diversão.
_ Mas veja. Estamos empatadas porque você quase venceu, mas se machucou. E hoje o padre se acidentou e continuamos empatadas.
_ Ou apostamos de novo e eu ganho ou você se casa no mesmo dia. O que vai ser?
_ Acho que consigo tornar-me uma Grace em pouco tempo.
_ Como assim?
_ Na noite do seu jantar conheci Oliver Grace. Desde então tenho recebido seus recados apaixonados.
_ Alice, não pode se casar por bilhetes apaixonados.
_ Acontece que foram mais que bilhetes apaixonados enquanto estávamos lá. Eu não contei nada porque queria fazer uma surpresa. Meu casamento é no próximo mês, mas podemos aproveitar a família e os amigos reunidos. O que acha?
_ Alice... Parabéns minha amiga. A profecia será cumprida. Estamos empatadas, então casamos no mesmo dia. Pode anunciar.
_ E seremos muito felizes.
_ Com certeza.
_ Posso roubar a noiva?
_ Claro Born. Ela é sua.
_ Layla, que tal realizar esse casamento longe daqui?
_ Você sabe que eu não gostaria disso Born. E teremos mais um casal no altar.
_ Quem?
_ Alice e Oliver Grace.
_ Sério?
_ Sim. E acho que eles já têm tudo pronto.
_ Fim de semana?
_ Pode ser, estou ficando ansiosa para ser a Sra. Lewis...

Fim.


Em breve o primeiro capítulo de meu novo trabalho.  ;)

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Roberta Kelly - A Chave - 24º Capítulo

(Sem imagem)


Capítulo Vinte e Quatro

     Finalmente o grande dia chegou.
Sra. Sophie e Katherine choravam a sua partida, mas no fundo sabiam que seria temporário.

_ Vamos.

     Alice chamou. Entraram no trem e ele começou a se movimentar. Deram os últimos acenos e se sentaram.
     Não sabiam, mas Layla corria perigo dentro do trem. Ela ouviu uma conversa suspeita do lado de fora do toalete.

_ É ela, eu tenho certeza. Ela irá nos descobrir aqui.

     Disse a Born o que estava acontecendo e ele não a ouviu. Quis dizer para Alice, mas ela procuraria cabine por cabine. Layla estava sozinha.
     Naquela noite viu a sombra de duas pessoas em sua cabine. Então gritou. Born não se moveu e Alice foi ao seu encontro. Era tarde demais, as sombras fugiram.
     Acenderam a luz e foram verificar Born. Ele tinha um corte na cabeça, devia ter levado uma pancada.
     Layla cuidou de Born até que acordasse e Alice ficou com um gancho que encontrou pela cabine.
     Quando finalmente acordou, Born ainda estava tonto pela pancada.

_ Scott está aqui, foi ele quem me agrediu.
_ Então é isso. Eu disse a você que alguém estava com medo de eu os ver, mas a voz que dizia isto era de uma mulher.
_ Desculpe Layla. Eu devia ter te ouvido.
_ Tudo bem.

     Ele tentou abraçá-la, mas ela saiu de perto.
     Scott não queria ser visto então algo bom ele não devia estar fazendo. Assim que amanhecesse, antes do trem fazer sua próxima parada, ela iria atrás dele. Não demorou muito para isto acontecer.
     Levantou-se e saiu sem dizer nada. Passou pelo toalete e seguiu para o restaurante. Tomou seu café, observando de uma mesa mais escondida.
     Scott entrou acompanhado. Deve ter pensado que ela estaria com os outros dois ou que demoraria a ir ao restaurante. Era muito cedo.
     Esperou que se sentasse. Ele escolheu um lugar mais discreto assim como o dela. Quase nas sombras.
     O café foi servido, então ela foi ao seu encontro.

_ Scott.

     Ele se engasgou e sua acompanhante arregalou os olhos. Não viram que ela estava sozinha, mas não ousaram procurar no salão. A última coisa que eles queriam era um escândalo.

_ Pensei que tivesse quase ficado louco com o meu sequestro, e esta noite você mesmo tentou me matar. Os gêmeos, as desculpas com sua tia. Na verdade o tempo todo era você. Você matou a moça que fazia a limpeza na casa de Born. Você contratou os gêmeos. E talvez arrependido por me sequestrar, mandou que facilitasse minha fuga. Eles foram presos, mas um deles está solto. Desde então a polícia o segue tentando pegar o verdadeiro chefe dos crimes.
_ Layla...
_ Não diga nada. Tenho nojo quando pronuncia meu nome.

     A essa altura os oficiais do trem haviam sido chamados e estavam atrás dela ouvindo tudo. Foi aí que ela entendeu. Ela também estava sendo seguida pelos oficiais para o caso do assassino aparecer. Então Scott foi preso, mas fez questão de dizer quem era a sua acompanhante.

_ Esta é Lauren, minha noiva, posso dizer esposa. Ela é a mandante dos crimes.
_ Sr. Scott fique calado. Esclarecerá tudo ao Delegado. E Srta. Grace preciso que venha conosco para prestar acusação formal.
_ Oficial eu terei um grande prazer, mas posso lhe pedir uma coisa?
_ Sim.
_ Posso terminar a viagem e retornar o mais breve possível? É que meus pais, o senhor já sabe, eu queria ir até em casa.
_ Muito bem, mas não se demore ou não poderemos segurá-los presos por muito tempo.
_ Não demorarei.

     Nesse momento Born e Alice entraram correndo pelo restaurante.

_ Oh! Graças a Deus! Você está bem?
_ Calma Alice. Agora estou melhor. Oficial, posso me retirar?
_ Claro Srta. Grace. Obrigado pela ajuda.
_ Vamos, depois vocês tomam o café.

     De volta a cabine, Layla contou tudo o que aconteceu. Born queria ir até a cela improvisada, mas ela não deixou.

_ Layla. Perdoe-me por não ter te protegido.
_ Born eu não quero ser desacreditada sem motivos. Você sabe tudo o que passei e não enlouqueci. Não será agora.
_ Born ficou bobo Layla. Meu primo nunca teve uma namorada tão linda como você.
_ Obrigada Alice.
_ É verdade Layla, estou cego de amor e às vezes esqueço os perigos que ainda corremos. O que fiz para merecer seu amor?
_ Born, para ser sincera você não fez nada. A primeira vez que o vi, foi suficiente para me fazer esquecer o mundo. Mas não podia dizer nada parecido para um médico tão lindo. Você deve arrancar suspiros de todas as pacientes. Na verdade antes de saber que você é assim meigo, carinhoso entre outras qualidades, eu já estava hipnotizada por você. Mesmo quando tentou me beijar enquanto dormia, eu sentia a cada dia que você era melhor do que a capa protetora que você criou. No fundo eu sempre soube que meu destino não era ficar com o Scott, e a tia dele me fez um grande favor afastando-o.
_ Layla...

     Born a beijou, mas Alice interrompeu.

_ Estou faminta. Vamos comer?
_ Claro.

     Disseram juntos e riram da situação. Alice sempre iria interromper.
     Finalmente chegaram ao destino. Layla nem pode acreditar que estava em casa. O percurso de charrete foi mais demorado que o esperado, mas era só ansiedade. Foram recebidos pelos tios dela. Marie e seus irmãos estavam na colheita de algodão. Ela tinha tantas coisas a resolver, mas teria que voltar e testemunhar.
     Fizeram o lanche da tarde com eles e em seguida Alice e Born partiram. Marie foi fazer companhia à noite para Layla. E ela contou tudo o que aconteceu depois que ela voltou. Algumas coisas ela sabia, pois havia contado por carta. Marie só dizia ‘oh’, ‘Layla’ e ‘Meu Deus’. Os olhares eram quase sempre arregalados. Ela já esperava essa reação dela. Layla pediu para que não contasse aos seus pais. Falasse somente que os culpados foram presos. Ela estava em parte muito triste, mas muito feliz por tudo ter terminado.
     Alguns dias se passaram. Ela teve que voltar para prestar acusação formal. Depois teria muito que fazer na fazenda, então quanto antes terminasse com esse assunto melhor. Alice e Born foram chamados para testemunhar os ferimentos, porque já estavam curados.
     Antes de partir Born pediu sua mão ao tio Joseph. Fizeram um jantar para as famílias. Eram doze pessoas somente e ela fez questão que fosse realizado em sua casa. Seu tio a perguntou se era isso o que queria, antes de responder ao Born, e ela disse que sim. Todos sorriram e ele então deu a permissão do jeito dele.

_ Avisem o Dr. Thomas que teremos um companheiro para ele em breve.

     Todos riram. Born não pareceu gostar da ideia. Tinha os próprios planos, mas sabia que ela só deixaria a fazenda se fosse para visitá-la sempre.


Capítulo 25 no dia 30/11/2018.

;)

sábado, 10 de novembro de 2018

Roberta Kelly - A Chave - 23º Capítulo

(Sem imagem...)


Capítulo Vinte e Três

     Foi só isso o que Layla conseguiu entender. Ela foi apresentada a todos. Havia o marido de Sra. Sophie, duas irmãs com seus maridos, uma tia e alguns outros.
     As crianças não estavam presentes. O motivo era como ela chegara até aquela casa. E obviamente a maquiagem que Alice fez só suavizou as marcas do seu rosto e as crianças se assustariam.
     Jantaram em um agradável clima familiar. Aos poucos as pessoas foram embora. Layla despediu de todos e prometeu uma visita a algumas pessoas.
     Born e Katherine sentaram-se ao seu lado e puderam conversar um pouco. Ficou claro que ela sabia o que Born sentia por Layla e que aprovava.
     Alguma coisa foi dita sobre fogo na casa de Born, mas Alice tirou Layla de perto para que não compreendesse. Layla sabia que Born estava em perigo.
     Alice estava feliz demais, mas não era por reencontrar parte da família. Ela estava aprontando.
     Ficou com Layla até ela quase dormir. Foi quando Born entrou.

_ Obrigado Alice. Todos já foram dormir e acham que também estamos.
_ Born, o que faz aqui?
_ Nós precisamos conversar Layla.
_ Agora?
_ Sim. Alice?
_ Eu vou dormir. Amanhã nos falamos. Durma bem.
_ Obrigado mais uma vez Alice.
_ Cuidado priminho. Boa noite.

     Alice se foi e só então Layla viu o que Born vestia: pijama. Então ele trancou a porta e disse o que ela não pensava ouvir.

_ Eu vim dormir com você.
_ Como? Born eu não...
_ Calma, é só dormir.

     Ele deitou ao seu lado e começou a fazer carinho nos seus cabelos.

_ Você estava linda esta noite. Você é linda, mas esta noite eu fiquei com ciúmes.
_ Ciúmes?
_ Vai dizer que não ouviu aqueles otários te elogiando quando entrou com Alice. Por que acha que fui te buscar na porta?
_ Fiquei tão surpresa que não consegui prestar atenção em quase nada.
_ Nem viu os olhares?
_ Pensei que estivessem curiosos com meus ferimentos ou olhando a “nova Grace”.
_ Foi bem mais que isso. O suficiente para eu querer te beijar na frente de todos. Eu...

     Ele a beijou tão ardentemente que ela esqueceu qual era a situação em que se encontravam. Foi sem dúvida a melhor noite que já teve. Não aconteceu nada além de beijos apaixonados, mas a noite foi incrível. Então ele parou e afastou o rosto.

_ Durma Layla. Não posso continuar te beijando assim. Não sei se consigo me controlar depois.
_ Boa noite Born.
_ Boa noite meu amor.

     Deu-lhe um último beijo e então Layla virou para que ele a abrasasse. Ele ficou relutante e então finalmente a abraçou e dormiu grudado com ela até o amanhecer.
     Layla não viu quando ele se foi, mas devia ter sido bem cedo. Ouviu uma discussão e alguém bateu na porta.

_ Entre.
_ Layla.
_ Sim.
_ Pode me dizer o que aconteceu ontem?

     Atrás dela, os dois fizeram gestos de não para Layla.

_ Bom, depois que Alice me trouxe, eu dormi e hoje cedo Born veio refazer o curativo do rosto porque o de ontem foi com um remédio mais fraco.
_ Foi só isso mesmo?
_ Sim. O que mais poderia ter acontecido Sra. Sophie?
_ Oh nada querida, eu devo estar vendo coisas.

     Ela encarou os dois e saiu.

_ O que aconteceu? Born? Alice?
_ Ela me pegou saindo daqui com as roupas que Alice trouxe e ainda bem que você percebeu o novo curativo.
_ Que curativo? E seu pijama?
_ Por isso ela brigou conosco. Ela viu Alice segurando.
_ Eu disse que estava indo levar pra lavar e ela não acreditou é claro. E agora vou levar de verdade antes que ela desconfie. E é claro que eu volto o mais rápido possível.

     Alice saiu e Layla ficou constrangida por Sra. Sophie estar pensando que aconteceu algo indevido.

_ Não se preocupe meu amor.
_ Por que sua mãe ficou daquele jeito?
_ Ela não acha certo algumas coisas e ficou com medo de eu estar me aproveitando de você. Então ela está só te defendendo de mim e agora de Alice também. (Risos). Layla, para quem devo pedir sua mão?
_ Como?
_ Por quê? Não quer ser minha esposa?
_ Eu disse que podia tentar, mas posso pensar por um tempo? Sem ofensas.
_ Claro que pode.
_ Obrigada, você é muito compreensivo.

     Não falaram mais nada. Ele deu um beijo na testa dela e saiu.
     Alguns dias se passaram. O jantar voltou ao seu lugar e o quarto voltou a ser quarto. Ela ainda sentia muitas dores e foi apenas uma vez à sala de jantar.
     Sra. Sophie se despreocupou e fizeram várias coisas juntas em seu quarto. Contaram uma para outra suas histórias e assim foram formando um laço forte de amizade. Alice e Katherine adoravam pintar as unhas, cuidar dos cabelos e claro falar de moda.
     O rosto de Layla já estava quase bom. As marcas roxas estavam amareladas. Mais alguns dias e não teria mais nada. Os pulsos não doíam, mas ainda estavam precários e os tornozelos e as pernas já não precisavam de curativos. Aos poucos a vida seguia.
     Layla enviou mensagens para Marie e seus tios. Contou o que aconteceu depois que Marie voltou para casa e eles responderam dando graças a Deus por estarem as duas bem.
     Perguntou em uma delas se seu tio Joseph poderia representar seu pai ao pedido de casamento que logo chegaria. Ele disse que se sentia muito honrado.
     Layla ficou muito feliz, pois não podia dar a Born uma meia resposta. Foi ele quem lhe entregou essa última mensagem e ela pediu que esperasse.

_ Born. Eu quero sim ser sua esposa.

     Ele não disse nada, só a pegou pela cintura e puxou para junto de si e deu um longo beijo, foi quando Sra. Sophie entrou.

_ Born? Layla? O que pensam que estão fazendo?
_ Desculpe mamãe, dessa vez você não pode brigar comigo.
_ E por que não? Você está dentro do quarto de nossa hóspede agarrando-a.
_ Mamãe, conheça a futura Sra. Lewis.
_ Oh meu Deus! Eu não acredito que vocês me enganaram esse tempo todo.
_ Como assim Sra. Sophie?
_ Vocês estão dormindo juntos debaixo do meu nariz.
_ Mamãe eu só disse que pedi Layla em casamento. Passou alguns dias até ela finalmente me dar resposta. Será que não pode ficar feliz pelo seu filho?
_ Born?

     Born indignou-se e saiu do quarto. Sra. Sophie tentou chamá-lo, mas foi em vão. Ele não voltou.

_ Sra. Sophie, sinto muito não ter dito nada sobre o pedido de Born. Eu não disse nem mesmo a Alice.
_ Tudo bem Layla, é que meu filho é muito inconsequente desde menino, aí tudo o que ele faz eu sempre espero o pior.
_ Eu o conheci Sra. Sophie quando cheguei e posso dizer que esse Born que saiu é muito diferente do outro.
_ Agora eu sei disso, mas é tarde. Já o magoei. Espero que ele não vá embora como da outra vez.
_ Ele não irá. Eu prometo.

     Demorou muito até Born voltar para ver Layla. Ele não estava presente em nenhuma das refeições e só apareceu quando todos se preparavam para dormir.

_ Born?

     Ele não disse nada, só a puxou para si e a beijou. Queria continuar de onde parou. Então ele a soltou e deu um sorriso.

_ Para quem devo pedir sua mão? Não aguento mais esperar.
_ Meu tio. Pode pedir quando eu voltar.
_ Você não vai embora.
_ Claro que vou. Tenho que cuidar de minha casa e de todo o resto.
_ Não precisa se entristecer voltando lá.
_ Não ficarei triste. Prometo.

     Ele a beijou novamente e saiu. Os dias se arrastaram pela ansiedade que sentia em voltar para sua casa.
     Alice esqueceu o Scott. Layla também não o viu desde que levou Marie para casa.
     Ele ficou mal quando voltou, mas ela já estava bem e ele não a procurou. Talvez sua tia tenha encontrado o que queria e ele tenha aprovado a escolha dela.
     Ela queria agradecê-lo por tudo o que fez por ela e por Marie, mas ficaria para outra ocasião.
     Ela não foi liberada pelos oficiais para partir, mas partiria mesmo assim.
     Deixou seu endereço com Dr. Austin e começou seus planos pessoais. Na próxima sexta ela voltaria para casa. Alice e Born iriam junto.


Capítulo 24 no dia 20/11/2018.


;)