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domingo, 27 de agosto de 2023

Roberta Kelly - A Chave - 19º Capítulo




Capítulo Dezenove

_ Ele saiu e eu tranquei a porta. Comecei a tirar as roupas. Escolhi minhas próprias para vestir. Era uma pena ter ganhado essas tão bonitas de alguém que eu não ia querer ver nunca mais. Coloquei tudo em um saco grande que encontrei nos armários.
Eu poderia ter morrido, mas até o momento estava viva.
Juntei minhas coisas e comecei a arrumar dentro da mala. Logo alguém viria e eu iria embora.
Ouvi conversas fora do quarto. Então alguém bateu. Era Born.

_ Layla. O oficial quer falar com você.

_ Abri a porta e vi um dos homens do porão atrás do oficial.

_ É ele oficial.
_ Nós já sabemos Srta. Grace. A questão é que ele diz ter lhe ajudado de certa forma fornecendo uma faca para se defender do que estava por vir.
_ Como uma faca poderia me defender de dois homens oficial? Ainda mais depois de terem me machucado tanto. Eu não teria forças para isso. Fiquei o tempo toda amarrada, tenho machucados profundos. Se quiser um motivo para soltá-lo oficial, eu não darei. Estou indo embora. Faça o que achar melhor.
_ Posso prendê-la por desacato Srta. Grace.
_ Vá em frente oficial. Não será o primeiro. Aliás, eu ser vítima parece que incomoda a todos. Com licença, tenho que chegar à estação. Já sofri muito ficando aqui.
_ Não poderá partir.
_ Me prenda...

_ Desde então estou aqui Delegado Logan. Espero que com meu depoimento rico em detalhes, eu possa finalmente ir embora. Já não aguento o jeito que todos me olham, uns com curiosidade, outros com pena e também há aqueles que me olham com raiva.
Eu sou a vítima. Não pedi para ser envolvida nessa história.
_ Acalme-se Srta. Grace. Sabemos que é a vítima e com seu depoimento em mãos poderemos seguir com os irmãos presos. Talvez precisaremos que deponha novamente.
_ A única forma de conseguir lembrar tantos detalhes foi me fechando para o mundo e revivendo cada segundo de angústia que passei. Não consigo reviver tudo isso novamente. Sinto muito. Existe algo mais com que eu possa ajudar?
_ Por enquanto não. Quero que assine seu depoimento. Terá que ficar algum tempo na cidade. Possui casa de parente ou amigo para se hospedar? Se não, nós poderemos encontrar um lugar para você ficar.
_ Não posso ir para casa e retornar depois quando precisarem?
_ Pode sim, mas e hoje?
_ Preciso buscar minhas coisas no hospital. De lá mesmo se eu estiver livre, pretendo ir para a estação.
_ Tudo bem. Por favor, assine todas essas folhas. Foi um depoimento bem longo. Vou providenciar alguém para escoltá-la até o hospital. De lá estará por sua conta. Tudo bem para você?
_ Sim. Obrigada Delegado. Sei que estava e ainda estou nervosa. Mas creio que agora compreende meus motivos.
_ Claro Srta. Grace, não foi uma boa estadia em nossa cidade. Espero que não guarde mágoa de todos daqui. Agora vamos. Você precisa comer alguma coisa, antes de voltar ao hospital.

     Layla não acreditou no que viu. Dr. Born estava na recepção e assim que ela saiu da sala do delegado, ele veio correndo ao seu encontro.
     O tempo que ficou ali, a enfraqueceu ainda mais. Não havia comido nada, nem mesmo um copo de água ela aceitou. Antes que chegasse ao chão Dr. Born a segurou em seus braços.

_ Deixe que eu a leve. Ela estará nesse endereço Delegado.
_ Muito bem Dr. Born. Mas ainda estou de olho no senhor.
_ Esta é a casa de meus pais, Delegado.
Boa noite.

     Quando Layla acordou, estava em um quarto muito bonito. Bem diferente do hospital. Olhou por todos os lados e não havia ninguém.
     Tentou levantar, mas suas pernas não obedeceram, então não teve escolha a não ser esperar.
     Alguém bateu na porta, e sem reação somente a olhou se abrir.

_ Perdoe-me. Tive ciúmes. Pensei que fosse forte, mas sou muito fraco.
_ Não há nada para perdoar Born. Vocês homens sempre pensam o pior de nós e sempre será assim.
_ Isso não é verdade. Eu nunca pensei mal de você antes da carta. Perdoe-me. Eles me fizeram pensar que você partiu por vontade própria, mas agora eu sei a verdade. Você continua a mesma para mim.
_ Agora? Depois que aquele homem disse a verdade?
_ Ele não disse nada. Não perguntei também. Acreditei no que você me contou e... Mostrou.
_ Born, eu sinto muito, mas não estou preparada para nada nesse momento. Eu sei que disse o contrário antes, mas é o que eu sinto agora. E antes de começar, eu quero ter certeza.
_ Tudo bem. Eu não vou forçá-la a nada. Scott preparou uma surpresa para você, mas quando ele voltou e soube do acontecido, quase enlouqueceu.
_ Como ele está?
_ Está melhor, mas a Sra. Amélia não o deixa sair para nada. Então eu guardei a surpresa para você aqui na casa de meus pais. E também porque aqui é o lugar certo.

     Ele caminhou até a porta e conversou brevemente com alguém. Então apontou o quarto para a pessoa entrar.

_ Alice? Oh meu Deus. Como?
_ Calma, teremos muito tempo para conversar. Como está se sentindo? Vi quando chegou e não pude acreditar.
_ Como cheguei aqui?
_ B. te carregou.
_ B?
_ Sim. Quando cheguei, fui direto ao hospital e então eu soube. Vi seus machucados enquanto ele fazia os curativos. Deve ter sido horrível.
_ Ele me fez curativos? Você conheceu a família dele? E por que o chamou de B.? O que eu perdi nessa história?
_ Calma Layla, são muitas perguntas, mas eu respondo todas.
_ Então fala.
_ Eu nunca te contei que tinha tios aqui na capital? Pois então. Você está na casa deles, e B. é na verdade aquele primo chato que eu disse que estudava arduamente para ser um médico respeitado. Sempre ri dele por isso. E quando você chegou ontem à noite, ele te colocou na cama, titia e eu trocamos você e depois ele veio fazer os curativos.
_ Não acredito.
_ Scott não sabia que Born era meu primo e insistiu muito para eu ir para a casa da tia com ele. Vi que ele estava a ponto de agredir B. Você sabe de alguma coisa?
_ Sim, mas não quero falar disso agora. Preciso de um toalete.
_ Vem, eu te levo.

     Alice ia fazer um interrogatório até que Layla explicasse tudo desde que chegou ali. Layla se preparava para voltar a ser ela mesma.
E como esperava, bastou chegar ao quarto para Alice começar sua sessão “Conte-me tudo”.

_ B. cuidou tão bem dos seus ferimentos. Ele parece gostar muito de você. Acho que posso dizer que está apaixonado.
_ É. Ele disse que gosta de mim.
_ Hum... Então já passamos da fase ‘conquista’.
_ Que fase ‘conquista’? Como sabe sobre isso? Nós nunca...
_ Calma. Eu explico. Depois que você veio para cá, me senti muito sozinha.
_ Então arrumou outra amiga mais atirada?
_ Não. Passei a conversar mais com minha mãe. E ela me contou muitas coisas interessantes. Contou-me também as fases do romance.
_ E você agora está louca para encontrar alguém.
_ Já encontrei, mas acho que ele não se interessou por mim. Conversamos muito e ele só falava de você.
_ Born ou Scott?
_ É tão evidente assim?
_ Não. Desde que cheguei aqui estou me defendendo de ambos.
_ Como assim?

     Alguém bateu na porta do quarto e elas interromperam a conversa. Alice atendeu. Entrou uma senhora e uma jovem. E atrás delas entrou Born.

_ Mamãe esta é Srta. Layla Grace. Layla esta é minha mãe Sophie Grace Lewis. E essa é minha irmã, Katherine Grace Lewis.
_ É um prazer conhecê-las. Mas Grace?
_ Oh sim querida, sabia que ia perguntar. E é um prazer conhecê-la também. Tenho ouvido muito sobre você.
_ Sra. Lewis, desculpe a curiosidade e a insistência, mas Grace?
_ Antes de lhe contar qualquer coisa sobre isto, gostaria que Alice já tivesse entregado a carta.
_ Não me falem em cartas por um bom tempo. (Interrompi).
_ Tudo bem Layla, é do seu pai. (Born completou).
_ Layla, posso te chamar assim?
_ Claro Sra. Lewis.
_ Por favor, me chame de Sophie. Layla, eu não sei como te explicar, somos da mesma família. Elas foram separadas há muitos anos e os ancestrais sempre usaram “Grace” para um dia tornarmos a nos encontrar. Quando Born disse que encontrou uma Grace original, quer dizer sobrenome paterno; fiquei muito feliz. Mas logo veio a notícia sobre o estado de saúde dele e depois o falecimento. Soube tudo o que lhe aconteceu desde que chegou aqui e fico feliz por estar viva e segura.

     Alice havia voltado e segurava a carta. E a essa altura havia dezenas de perguntas que Layla queria fazer. Por que Alice nunca havia contado que é uma deles?
     Layla pegou a carta e começou a ler pausadamente, para ter certeza do que estava lendo.



;)

sábado, 26 de agosto de 2023

Stephenie Meyer - Amanhecer



Sinopse:

  Estar irrevogavelmente apaixonada por um vampiro é tanto uma fantasia como um pesadelo, costurados em uma perigosa realidade para Bella Swan. 
 Empurrada em uma direção por sua intensa paixão por Edward Cullen, e em outra por sua profunda ligação com o lobisomem Jacob Black, ela resistiu a um tumultuado ano de tentação, perda e conflito até o momento da decisão definitiva. A escolha entre fazer parte do obscuro, mas sedutor, mundo dos imortais ou permanecer vivendo como humana, se tornou o marco que poderá transformar o destino dos dois clãs: vampiros e lobisomens. 
 Agora que Bella, tomou sua decisão, uma corrente de acontecimentos sem precedentes se desdobrará, com consequências devastadoras. 
 No momento em que as feridas parecem prontas para ser cicatrizadas, e os desgastantes confrontos da vida de Bella, resolvidos, isso pode significar a destruição. Para todos. Para sempre.


 Reli muitas vezes a saga e sou fã declarada dela, não me importa se foi escrito para crianças de 8 ou idosos de 80 anos. (Risos)
 Cada momento decisivo, aflitivo, romântico e engraçado; suspirei, coração acelerou, suspirei de novo, ri, chorei.
 Apesar de toda crítica ruim que recebeu, eu não vi nada disso. Vejo ainda hoje um livro diferente sobre vampiros lobisomens e humanos.
 Tem todo um cuidado com alguns costumes antigos dos humanos, tem lendas sobre lobisomens que são transfiguradores e não aquelas criaturas que andam sobre duas patas corcunda e peluda. (Risos) E tem vampiros que não viram pó sob o sol mas sim brilham e, são vegetarianos.
 Gostei muito da experiência dos novos tipos de personagens e isso com certeza abriu um leque de possibilidades em minha mente. É como olhar o céu azul todos os dias e finalmente ver que ele não tem só a cor azul.
 Simplesmente adorei!

;)

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Roberta Kelly - A Chave - 18º Capítulo




Capítulo Dezoito

_ Tentei por dias a mesma mensagem sempre aproveitando as piadinhas do homem mais falador. Ele indicava os horários como se fosse uma vitória.
“Mais um dia de procura em vão”, “Logo farão o que mandei”. E assim passou uma semana. Duas. Três.
Eles me desamarravam somente para ir ao toalete. Era o único momento que eu ficava sozinha, me esticava e chorava. Não estava sendo fácil dormir sentada, ficar o dia todo na mesma posição e o pior com mordaça e cordas no corpo. Havia horas que eu queria morrer, mas morrer por nada não seria bom.
Sempre imaginei que faria tantas coisas, por mim mesma e também pelas pessoas. Mas presa com dois loucos, não sabia o que pensar para o futuro.
Não sabia se teria algum futuro.
Concentrei-me uma vez mais.

_  “Born. Meu amor. Estou presa nos porões do hospital. Por favor, me ajude. Não sei se aguento isso por muito tempo”.
_  “Layla?”.
_  “Born, graças a Deus me ouviu. Estou no hospital, na parte que não é usada. Ouça com atenção. Os dois estão aqui todos os dias e sabem o que está acontecendo e até os horários que vocês me procuram. Tenha cuidado e não venha aqui sozinho”.
_  “Tudo bem...”.

_ Estava aliviada, mas não podia deixar que desconfiassem. Era só esperar que o Born não pensasse que foi apenas um sonho.

_ Tire a mordaça. Quero levar um papo com ela. (Homem um).
_ Tudo bem. Oi docinho. Nossa, machucamos você. Olha como está a sua boca. Não poderá dar beijinhos no doutor. Ah, de qualquer forma não vai mesmo. (Homem dois).
_ Fico aliviada em saber o meu fim. Por que não termina logo com isso?
_ Assim nos tira a graça. Quer morrer? (Homem dois).
_ Sim eu quero.
_ Por enquanto não vai. (Homem um).
_ Porque está falando comigo? Geralmente só esse outro é que vem aqui, você só observa.
_ Resolvi deixá-la tomar um banho descente. Vamos subir um andar, e se você fizer qualquer gracinha não vou pensar duas vezes. Você morre. (Homem um).
_ Por que quer que eu me limpe? Não vai me matar de um jeito ou de outro?
_ Sim, vou. Mas quero que a encontrem limpa e bem arrumada. Quero fazê-los sofrer em ver tanta beleza desperdiçada pela morte. (Homem um).
_ Quando vamos?
_ Hoje à noite. Enquanto eles saem para te procurar. Assim será mais fácil. (Homem um).
_ Tudo bem. Falta muito para anoitecer? Só quero poder me limpar.
_ Não vou cair na sua. Não vai me manipular. Amarre-a de novo. (Homem um).

_ Deram-me água e comida, mas permaneci amarrada até à noite. Finalmente chegaram. Um deles tinha uma sacola com sabonetes e colônias. Eu poderia escolher o que quisesse. “Parece o último banho”. Não podia pensar assim. Tinha que ser forte e pensar em um plano. Não dava para correr por causa dos ferimentos. Podia me trancar no toalete. Podia dizer que estava tendo problemas com o cabelo. Ia ser mesmo muito difícil desembaraçar. É isso. Confiei que daria certo e que Born chegaria e os pegaria antes que eu terminasse.
Tentaria ser rápida e ficar pronta para fugir, mas mentiria dizendo que ainda não estava.

_ Vamos. (Homem dois).
_ Eu posso perguntar uma coisa antes?
_ Pergunte.
_ Você tem algum remédio para esses cortes? Estão doendo muito. Sei que vou morrer, mas... Pode fazer isso por mim?
_ Hum... Vamos. No caminho nós arrumamos isso para você.
_ Obrigada. Apesar de tudo é gentil.
_ Hum...

_ Ele havia caído na minha conversa. Eu sabia que um deles estaria na porta me vigiando e o outro sairia para buscar o que pedi. Só esperava que a ajuda chegasse a tempo.

_ O toalete é aqui. Esse andar tem luz, então tem água quente também. Fique linda como se fosse para uma festa. Ou...
_ Precisarei de tempo para isso.
_ Você terá o tempo que quiser. Nessa bolsa tem tudo o que uma mulher precisa. Então não me decepcione. Não quero ter que matá-la por desobediência. Prefiro ter um motivo real para isso. Meu irmão quer matá-la de qualquer forma, mesmo que consiga o que quer. Eu não.
_ Tudo bem. Trancarei a porta se não se importar. Não confio muito no seu irmão.
_ Pode trancar. Se não abrir quando terminar, eu derrubo. Não quero nem um fio solto antes da hora, você tem que estar perfeita. Não seja estúpida de tentar fugir.
_ Não serei.

_ Ele saiu e deixou a bolsa com realmente tudo o que uma mulher precisa, só não pensou nos remédios. Por que pensaria?
Tranquei a porta e comecei a tirar meu vestido. Sentia-me suja. Só panos molhados durante esse tempo todo e à luz de velas. Deixei a água cair no rosto e estava tão gostosa. Pensei sobre o que ele disse e então eu soube que havia esperança. Molhei os cabelos e usei os produtos que ele trouxe. Desembaracei devagar os cabelos, pois tudo em mim doía.
Quando peguei a bucha, caiu uma pequena faca. Não acreditei quando vi. Ele queria que eu fugisse? Seria um truque? Mas por quê?
Eu já era prisioneira há tanto tempo e não tentaria nada estúpido. Nem tinha forças para isso.
Coloquei-a de lado. Até terminar o banho eu pensaria em alguma coisa. Guardaria comigo de algum jeito.
Lavei meus machucados com cuidado. Eles me amarraram com muita força. Havia feridas profundas. Minha boca e meu rosto estavam lastimáveis. Não sei se conseguiria dar um jeito para parecer saudável.
O banho estava tão bom que quase me fez esquecer que eu não podia demorar. Enquanto me secava ouvi os dois conversando. Um deles bateu na porta.

_ Já vou abrir, estou molhada.

_ Abri e ele me entregou uma sacola com os remédios.

_ Obrigada.

_ Ele não disse nada, então, tranquei a porta novamente.
Deixei a água ligada para que pensassem que eu estava lá. Verifiquei as roupas arrumadas e vi que tinham bom gosto. Também devem ter ido comprar longe dali. Era um vestido azul e tinha um par de botas. Eram novos e bem caros. Dava a impressão de estar indo cavalgar, mas para mim seria perfeito para esconder a faca.
Vesti-me tentando proteger minha pele com os tecidos. Fiz curativo nas pernas e enrolei os machucados. Calcei as botas e guardei a pequena faca dentro.
Fiz um penteado deixando parte do cabelo solto. Estava tão pálida.
Todos esses dias presa no porão sem ver a luz do sol.
Só faltava a maquiagem. Pintar nunca foi um problema antes, mas meus braços doíam. Ainda tinha que fazer os curativos. O remédio era bom, mas ardia. Foi bom fazer o curativo nos pulsos primeiro, porque meus olhos se encheram de água.
Fiz um bom trabalho. A maquiagem tampou tudo. Só não conseguiu tirar a dor que eu sentia.
Ouvi um barulho alto. Será que seriam os oficiais?

_ Layla? Abre a porta.

_ Um deles bateu, e falava baixo. Abri a porta.

_ O que foi? Eu não ia... Born?

_ Eu não sabia como reagir de tanta felicidade ao ver Born em meu resgate. Sempre pensei que a telepatia fosse mentira, e que eu poderia ter sonhado com ele me respondendo. Mas era real.

_ Rápido Layla, venha comigo, os oficiais estão por todos os lados, mas não há sinal deles. Vamos, não há tempo.

_ Saímos o mais depressa possível dali. Levei comigo a bolsa com os produtos. Os oficiais iam querer saber disso. Born me levou para o quarto do hospital. Trancou a porta e começou a juntar minhas coisas. Ele estava agindo estranho.

_ Born... Born?

_ Ele não queria me olhar.

_ Born, por favor. Não acha que já sofri demais? Fala comigo.
_ Layla eu não posso.
_ Por quê?
_ Primeiro tenho que tirar você daqui.

_ Puxei o braço dele com o resto de força que eu ainda tinha.

_ Born. É melhor falar comigo agora ou não vou a lugar algum com você.
_ Tudo bem. Então me responde algumas perguntas, depois respondo tudo o que quiser em troca. Mas quero que seja sincera.
_ Claro.
_ Por que está vestida assim?
_ Eles me obrigaram a me limpar com paninhos molhados durante todo esse tempo. Então hoje, suponho que pela manhã, um deles disse que eu tomaria um banho completo no andar de cima e se tentasse alguma gracinha morreria.
_ Como você não sabe se era de manhã?
_ No andar abaixo do qual você me encontrou não tem luz e nem janelas. Eles me informavam a hora quando eu perguntava, mas não sei se era verdade.
_ Por que enviou aquela carta?
_ Que carta?
_ Como que carta? Você escreveu coisas que conversamos sozinhos neste quarto. E terminou dizendo que havia encontrado um homem de verdade. Que ele havia feito carícias que você jamais imaginou antes. E eu pensei muito se eu queria vê-la novamente.
_ Born, olha para mim.

_ Tirei as luvas. Comecei a desenrolar os curativos. Depois tirei as botas e desenrolei os curativos das pernas. Limpei a maquiagem do rosto. Ele foi perdendo a cor vendo como realmente fui tratada.

_ Vê? Você acha que eu estava sendo bem tratada? Amando meus sequestradores? Não sei qual era a intenção deles, mas até o banho, maquiagem e todo resto foi uma ordem, a qual ou eu obedecia ou morria. Como pôde pensar tudo isso sobre mim?
_ Layla, me perdoe. Por isso resolvi dar um voto de confiança. Não pude controlar meu ciúme. Não consegui pensar em você nos braços de outros.
_ Saia Born.
_ Layla?
_ Saia, quero ficar sozinha.
_ Não posso. Tenho ordens para tirá-la desse lugar.
_ Não vou. Com você não vou a lugar algum.
_ Tudo bem. Mas estarei aí fora.



;)

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Lisa McMann - Gone


Sinopse:

 No início Janie acreditava que já sabia o que o futuro lhe reservava e pensou que estava em paz com isto. 
 Mas, o que Janie não suportou, foi ver Cabel afundando com ela. 
 Janie só vê uma maneira de dar a Cabel a vida que ele merece – ela precisa desaparecer. 
 Mas isto pode destruir os dois. Então, um estranho entra em sua vida – e tudo se desfaz. 
 Seu futuro, antes previsto, sofre uma reviravolta trágica e suas escolhas se tornam mais terríveis do que Janie jamais imaginou. 
Ela só precisa escolher o menor dos dois males. E o tempo está se esgotando…


 Não gosto de dizer que me decepcionei com algum livro, mas senti que Gone podia ter tido um rumo melhor. Não mudar a história e seu fim, mas colocar coisas que envolva-nos mais.
 Ficou um livro bom, mas sem vida.
 Ainda assim, gostei do enredo e do fim. 
 Recomendo como um ponto final de uma trilogia. Mas se fosse uma leitura separada, eu diria que podia ser um pouco melhor. 


:(

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Roberta Kelly - A Chave - 17º Capítulo




Capítulo Dezessete

_ Deixe-me falar. Você e o Scott estavam muito mais preocupados em brigar por mim que não notaram que isso me afetava profundamente. Quando vocês se uniram para nos defender desse assassino, ficou claro que você realmente se importa e que Scott é só o sobrinho obediente da titia Amélia. Desculpe o tom de rancor em minha voz quando falo dela. Quando ela disse que estava preparando uma surpresa para mim, não imaginei que seria isso. “Uma noiva para Scott”. E desde que descobri o que ela anda fazendo, senti como se eu fosse uma mulher descartável a qual não tinha mais utilidade por não servir para seu sobrinho. Isso magoou profundamente meu coração, pois, eu posso ser indomada, mas não sou qualquer uma. Não gosto de fazer comparações com nada, mas você merece uma explicação. Você sempre me tratou da mesma forma e quando surgiu a oportunidade de ficar comigo, você ficou. Afinal, está aqui agora. Marie me disse que eu praticamente me atirei em você quando perdi a memória. Eu sei que ela exagera às vezes, mas... Você poderia ter se aproveitado de mim e não fez. Foi sempre cavalheiro até mesmo quando tentou me beijar e foi afastado depois. Você sempre teve atitudes conforme seus sentimentos.
_ Layla eu...
_ Foi sem dúvida o abraço mais carinhoso e demorado que já recebi. Ele ficou algum tempo preso ao meu corpo sem dizer nada.

_ Born, você está bem?
_ Estou bem. Estou feliz é só isso. Por todo esse tempo que você está aqui, não passei um único dia sem pensar em você, sem sonhar com você. Não consegui pensar na minha vida a não ser ao seu lado.
_ Born. Eu não disse que casaria...
_ Eu sei. Se vai me dar uma chance, vou fazer da melhor maneira possível. E para provar isso, quero que se prepare para sair comigo hoje. Não ficará neste hospital. Vou preparar os documentos com o Dr. Austin e já volto.
_ Born? Posso pedir algo antes?
_ Não precisa.

_ Ele me puxou para perto do seu corpo com a mão em minha cintura e a outra acariciou meu rosto. Beijou-me, e esse beijo me fez sentir uma sensação estranha percorrer pelo corpo, então ele saiu sem dizer mais nada e fiquei ali parada sem reação por algum tempo. Pois não era isso que eu ia pedir.
Quando comecei a guardar meus pertences, ouvi passos atrás de mim, fui agarrada com força. Só senti um cheiro muito forte. Acordei sem saber onde estava. Um lugar sujo e escuro.
_ Olha só quem finalmente despertou. (Homem um).
_ Acho que exagerei na dose. Você sabe... Prática em matar. (Homem dois).
_ Ela ainda não pode morrer. Deixou o bilhete? (Homem um).
_ Sim. “QUERIDOS DOUTORES, ESPERO NÃO SENTIREM A FALTA DA BELA DAMA. ESTAMOS COM ELA, E SE A QUISEREM VIVA, LIMPEM NOSSOS NOMES. TALVEZ A DEVOLVA INTEIRA OU TALVEZ NÃO.” (Homem dois).
_ Eles irão me encontrar. (Retruquei).
_ Creio que não Srta. Bisbilhoteira. (Homem dois).
_ Não bisbilhotei nada. Por que estão fazendo isso?
_ Oh coitadinha, ela não sabe. Então a gente conta. (Homem dois).
_ Ainda não irmãozinho. Deixe-a curiosa. No fundo ela sabe o que faz aqui. (Homem um).

_ Eu não sabia onde estava, mas tinha certeza que estava em perigo. Amarrada em um lugar escuro e com mau cheiro. Mal iluminado. Talvez um porão.
E Marie? Pobre Marie, ainda bem que estava voltando para casa. Ao menos uma de nós.

_ Queridinha dos doutores está com fome? (Homem dois).
_ Não.
_ Sei que está, pode comer, não coloquei veneno ainda. Mas no hospital sim. (Homem dois).
_ Tentamos, mas não deu certo, então mudamos nossos planos. Agora coma. Por enquanto queremos você viva. Vou dar uma volta. Não fale com ela. (Homem um).

_ Eu não ia poder recusar. Estava com fome e ele estava me obrigando. Melhor obedecer. Agora que eu sabia o que queria não podia me permitir morrer assim.

_ Posso perguntar uma coisa?
_ Claro. Mas eu decido se quero responder.
_ Só quero saber quanto tempo estou aqui e que horas são. Por favor.
_ São duas perguntas, mas vou responder. Você ficou apagada por dois dias. Achei que estivesse morta, mas sua respiração foi ficando normal. E... São dez da manhã. Seu doutorzinho deve estar dormindo. Ele tem nos procurado durante a noite toda.

_ Era quase tudo que eu precisava saber. Só faltava o lugar para poder me comunicar com Born. Telepatia era uma coisa que Alice e eu estávamos praticando. Ela disse que foi um primo que a ensinou. Mas ainda só funcionava se uma estivesse dormindo, por causa do relaxamento. E tínhamos que estar no mesmo quarto.

_ Por que estão me prendendo aqui?
_ Pergunta errada.
_ Não posso sair de qualquer forma. Pode dizer pelo menos onde estou?
_ Hum... Está planejando fugir?
_ Nem se eu quisesse. Vocês me amarraram bem.
_ Deixa-me ver isso. É, parece que não sairá daí a menos que a gente te solte.
_ Então? Posso saber?
_ Por que quer saber? Vai mandar um rato levar um recado ao seu namoradinho? Acho que não. Os ratos daqui não são inteligentes.
_ Só quero saber onde vou morrer.
_ Tudo bem. Você está num porão. Posso dizer que da casa mais antiga dessa cidade.
_ Facilita. Agora sei que vou morrer como se fosse parte da fundação dela.
_ Não é não. A fundação começa pelo outro lado da cidade. Estamos bem próximos do hospital.
_ Mas não há casas antigas ali. Não é um bairro novo? Tirando o hospital é claro.
_ Você é boa. Estamos no hospital. Uma parte antiga que ninguém entra. Mas é claro, você pode gritar e chorar. Ninguém ouvirá.
_ Não vou fazer isso.
_ Esperta. Achei que toda mulher bonita fosse burra. Mas existem exceções.
_ Não disse que não era pra conversar com ela? Já vi como ela manipula os homens. (Homem um).
_ Estava fazendo isso comigo? (Homem dois)
_ Não. Eu juro.
_ Vou amordaçá-la. Espero que não tenha dito a ela nada importante. (Homem um).

_ Ele amarrou minha boca com força. Senti gosto de sangue. Ele me machucou. Não fazia mal, agora sabia onde estava.
Concentrei-me para falar com Born.
Isso levava tempo. Fechei os olhos e fingi dormir.

_  (“Born? Pode me ouvir? Ouça. Estou no hospital, nos porões que não são usados. Ouça-me Born, por favor.”).


;)