Capítulo Dezessete
_ Deixe-me falar. Você e o Scott estavam muito mais preocupados
em brigar por mim que não notaram que isso me afetava profundamente. Quando
vocês se uniram para nos defender desse assassino, ficou claro que você
realmente se importa e que Scott é só o sobrinho obediente da titia Amélia.
Desculpe o tom de rancor em minha voz quando falo dela. Quando ela disse que
estava preparando uma surpresa para mim, não imaginei que seria isso. “Uma
noiva para Scott”. E desde que descobri o que ela anda fazendo, senti como se
eu fosse uma mulher descartável a qual não tinha mais utilidade por não servir
para seu sobrinho. Isso magoou profundamente meu coração, pois, eu posso ser indomada,
mas não sou qualquer uma. Não gosto de fazer comparações com nada, mas você
merece uma explicação. Você sempre me tratou da mesma forma e quando surgiu a
oportunidade de ficar comigo, você ficou. Afinal, está aqui agora. Marie me
disse que eu praticamente me atirei em você quando perdi a memória. Eu sei que
ela exagera às vezes, mas... Você poderia ter se aproveitado de mim e não fez.
Foi sempre cavalheiro até mesmo quando tentou me beijar e foi afastado depois.
Você sempre teve atitudes conforme seus sentimentos.
_ Layla eu...
_ Foi sem dúvida o abraço mais carinhoso e demorado que já
recebi. Ele ficou algum tempo preso ao meu corpo sem dizer nada.
_ Born, você está bem?
_ Estou bem. Estou feliz é só isso. Por todo esse tempo que
você está aqui, não passei um único dia sem pensar em você, sem sonhar com você.
Não consegui pensar na minha vida a não ser ao seu lado.
_ Born. Eu não disse que casaria...
_ Eu sei. Se vai me dar uma chance, vou fazer da melhor maneira
possível. E para provar isso, quero que se prepare para sair comigo hoje. Não
ficará neste hospital. Vou preparar os documentos com o Dr. Austin e já volto.
_ Born? Posso pedir algo antes?
_ Não precisa.
_ Ele me puxou para perto do seu corpo com a mão em minha
cintura e a outra acariciou meu rosto. Beijou-me, e esse beijo me fez sentir
uma sensação estranha percorrer pelo corpo, então ele saiu sem dizer mais nada
e fiquei ali parada sem reação por algum tempo. Pois não era isso que eu ia
pedir.
Quando comecei a guardar meus pertences, ouvi passos atrás de
mim, fui agarrada com força. Só senti um cheiro muito forte. Acordei sem saber
onde estava. Um lugar sujo e escuro.
_ Olha só quem finalmente despertou. (Homem um).
_ Acho que exagerei na dose. Você sabe... Prática em matar.
(Homem dois).
_ Ela ainda não pode morrer. Deixou o bilhete? (Homem um).
_ Sim. “QUERIDOS
DOUTORES, ESPERO NÃO SENTIREM A FALTA DA BELA DAMA. ESTAMOS COM ELA, E SE A
QUISEREM VIVA, LIMPEM NOSSOS NOMES. TALVEZ A DEVOLVA INTEIRA OU TALVEZ NÃO.”
(Homem dois).
_ Eles irão me encontrar. (Retruquei).
_ Creio que não Srta. Bisbilhoteira. (Homem dois).
_ Não bisbilhotei nada. Por que estão fazendo isso?
_ Oh coitadinha, ela não sabe. Então a gente conta. (Homem
dois).
_ Ainda não irmãozinho. Deixe-a curiosa. No fundo ela sabe o
que faz aqui. (Homem um).
_ Eu não sabia onde estava, mas tinha certeza que estava em
perigo. Amarrada em um lugar escuro e com mau cheiro. Mal iluminado. Talvez um
porão.
E Marie? Pobre Marie, ainda bem que estava voltando para casa.
Ao menos uma de nós.
_ Queridinha dos doutores está com fome? (Homem dois).
_ Não.
_ Sei que está, pode comer, não coloquei veneno ainda. Mas no
hospital sim. (Homem dois).
_ Tentamos, mas não deu certo, então mudamos nossos planos.
Agora coma. Por enquanto queremos você viva. Vou dar uma volta. Não fale com
ela. (Homem um).
_ Eu não ia poder recusar. Estava com fome e ele estava me
obrigando. Melhor obedecer. Agora que eu sabia o que queria não podia me
permitir morrer assim.
_ Posso perguntar uma coisa?
_ Claro. Mas eu decido se quero responder.
_ Só quero saber quanto tempo estou aqui e que horas são. Por
favor.
_ São duas perguntas, mas vou responder. Você ficou apagada por
dois dias. Achei que estivesse morta, mas sua respiração foi ficando normal.
E... São dez da manhã. Seu doutorzinho deve estar dormindo. Ele tem nos
procurado durante a noite toda.
_ Era quase tudo que eu precisava saber. Só faltava o lugar
para poder me comunicar com Born. Telepatia era uma coisa que Alice e eu
estávamos praticando. Ela disse que foi um primo que a ensinou. Mas ainda só
funcionava se uma estivesse dormindo, por causa do relaxamento. E tínhamos que
estar no mesmo quarto.
_ Por que estão me prendendo aqui?
_ Pergunta errada.
_ Não posso sair de qualquer forma. Pode dizer pelo menos onde
estou?
_ Hum... Está planejando fugir?
_ Nem se eu quisesse. Vocês me amarraram bem.
_ Deixa-me ver isso. É, parece que não sairá daí a menos que a
gente te solte.
_ Então? Posso saber?
_ Por que quer saber? Vai mandar um rato levar um recado ao seu
namoradinho? Acho que não. Os ratos daqui não são inteligentes.
_ Só quero saber onde vou morrer.
_ Tudo bem. Você está num porão. Posso dizer que da casa mais
antiga dessa cidade.
_ Facilita. Agora sei que vou morrer como se fosse parte da
fundação dela.
_ Não é não. A fundação começa pelo outro lado da cidade.
Estamos bem próximos do hospital.
_ Mas não há casas antigas ali. Não é um bairro novo? Tirando o
hospital é claro.
_ Você é boa. Estamos no hospital. Uma parte antiga que ninguém
entra. Mas é claro, você pode gritar e chorar. Ninguém ouvirá.
_ Não vou fazer isso.
_ Esperta. Achei que toda mulher bonita fosse burra. Mas
existem exceções.
_ Não disse que não era pra conversar com ela? Já vi como ela
manipula os homens. (Homem um).
_ Estava fazendo isso comigo? (Homem dois)
_ Não. Eu juro.
_ Vou amordaçá-la. Espero que não tenha dito a ela nada
importante. (Homem um).
_ Ele amarrou minha boca com força. Senti gosto de sangue. Ele
me machucou. Não fazia mal, agora sabia onde estava.
Concentrei-me para falar com Born.
Isso levava tempo. Fechei os olhos e fingi dormir.
_ (“Born? Pode me ouvir? Ouça. Estou no hospital,
nos porões que não são usados. Ouça-me Born, por favor.”).

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