Capítulo Vinte e Cinco
Chegou o dia do
julgamento e ela ficou com medo deles. Estava com raiva por ter sido enganada
por Scott. O juiz a olhou e disse:
_ Srta. Layla Anabelle Grace, conte-nos o que aconteceu desde o
início. Há muitos fatos confusos e creio que a senhorita poderá esclarecer.
Lembre-se que está sob juramento de dizer somente a verdade.
_ Sim meritíssimo.
Layla começou seu
longo depoimento e o juiz parecia muito interessado, porém confuso. Começou
contando como conheceu Scott e seu repentino interesse por ela. A desculpa que
deram para estar na fazenda àquela tarde. A sorte que eles tiveram por ela se
acidentar. O que ocasionou a viagem e com isso o interesse de Sra. Amélia em
conquistá-la para o sobrinho. A sua chegada no hospital e o interesse do Dr.
Born por ela. A tentativa do beijo frustrada e a proibição dele ao seu quarto.
A cirurgia de Marie na noite seguinte e como ficou preocupada com a briga entre
o Dr. Born e Scott.
_ Briga?
_ Não foi bem uma briga meritíssimo, mas fico constrangida em
dizer que era disputada. Faz parecer convencimento de minha parte.
_ Continue, por favor.
Layla continuou
contando tudo o que aconteceu ao juiz, e as pessoas que acompanhavam ficavam
cada vez mais incrédulas com a história. Contou como Scott planejou o crime
ocorrido anos atrás, para incriminar o Dr. Born e como ela quase acreditou na
inocência dele. Pois o histórico de criança diz que o Dr. Born sempre era o
culpado, então seria fácil incriminá-lo. Mas o Dr. Born assumia a culpa para
que o Scott não apanhasse.
_ Como sabe tudo isso?
_ Ainda tem muito meritíssimo. O senhor entenderá.
_ Continue.
Layla contou como o
Dr. Austin pediu para que ela ajudasse a resolver esse mistério, já que ambos
juravam inocência. Como foi enrolando a ambos para que confiassem nela e
contassem a verdade. O comportamento de Scott quando ela foi passear com Dr.
Born. Como o Dr. Born e Scott foram ao socorro da jovem. Layla disse ao juiz
que durante seu sequestro teve muito tempo para juntar as peças.
Contou também como
conheceu seus parentes que nem sonhava existir. E a felicidade de novamente
poder ter uma família. Como tudo aconteceu no trem, e as conversas que ouviu.
Foi assim que juntou as últimas peças para que entendesse o que aconteceu.
_ Meritíssimo, penso que tudo o que houve, teria ocorrido mesmo
que eu não tivesse caído do meu cavalo. Só que jamais chegariam aos assassinos
de minha família, incluindo eu. Tornei-me o alvo. Consegui ser a chave da
verdade.
_ Srta. Grace, temo que tenha razão. Vamos fazer um recesso e
voltaremos com as outras testemunhas.
O julgamento
continuou e ela acompanhou junto com os outros civis. Quando chegou a vez de
Scott ele simplesmente disse:
_ Eu a mataria na frente de minha esposa como prova de meu
amor. E seria muito fácil principalmente se eu pensasse no Born. Ele tirou tudo
de mim e eu tiraria dele.
O juiz perguntou há
quanto tempo ele estava com Lauren e ele surpreendentemente disse que desde a
escola. Então Sra. Amélia foi presa por acobertar os crimes do sobrinho.
_ Mas por que você escolheu a Srta. Grace, se você não sabia do
parentesco dela com o Dr. Born?
_ Fomos até a fazenda dela, pois minha tia suspeitava que ela
fosse a Grace, que a Sra. Sophie queria tanto conhecer. Na verdade ela queria
conhecer a família, mas com a morte dos pais dela, só restava Layla. E ela é
bonita, se eu conseguisse que Born se interessasse por ela, seria perfeito. Eu
mataria a última Grace de uma das famílias e namorada de Born ao mesmo tempo.
Tudo o que fiz foi para me vingar de Born, mas deixei muitos fios soltos e
jamais pensei que Layla seria tão inteligente. Eu estava começando a gostar
dela de verdade por isso fui acompanhar Marie de volta para casa. Não a fiz mal
porque nada tinha contra ela.
_ Sr. Scott, o único motivo para o senhor fazer mal a Srta.
Grace foi o ódio pelo Dr. Born?
_ Não meritíssimo. Depois da Layla, seria a família dele.
_ E por que tudo isso?
_ Por culpa da família Grace, uma moça de minha família se
matou e com isso levou um pouco de todos nós.
_ Há quanto tempo isso aconteceu?
_ Cento e cinquenta e dois anos.
_ Por favor, Sr. Scott. Está dizendo que essa sua vingança é
por parente que nem ao menos conheceu? Darei a sentença após um recesso.
Com essas declarações
todos foram presos.
_ Todos presos. E agora?
_ Agora vou voltar para fazenda.
_ Mas e nós?
_ Vou preparar as coisas para nosso casamento.
_ Eu queria que ficasse.
_ Born, podemos esperar mais um mês, não podemos?
_ Claro.
Layla fez compras
para o casamento, já que em sua cidade não encontraria, sendo preciso
encomendar. As costureiras de lá não eram nada discretas e a última coisa que
queria era sua vida exposta naquele lugar.
Depois de alguns
dias ela voltou para casa.
_ Layla você voltou!
_ Claro tio Joseph, não poderia deixar Marie viajar sozinha e
aqui ainda é minha casa.
_ Eu sei. Só pensei que faria o casamento por lá.
_ Claro que não, será na fazenda e o senhor me levará ao altar,
esqueceu?
_ Bem, quanto a isso teremos que conversar. Mas em breve você
vai saber. Só espero que um dia me perdoe. Eu não tive como dizer não e...
_ O que aconteceu tio? Não irá me acompanhar?
_ Outra hora falamos nisso. Você tem muitas coisas para
resolver na fazenda. Está tudo uma bagunça.
_ Tudo bem tio. Vamos então. Estou cansada e quero ver como as
coisas estão.
Layla seguiu da
estação para a casa na fazenda em silêncio. Não era boba e sabia que algo
estava acontecendo. Achou estranho ninguém cumprimentar-lhe pela morte de seus
pais. Sentiu que não era importante para ninguém, nem mesmo os que se diziam
amigos. Se seu tio se recusasse a acompanhá-la, já não seria surpresa.
Passaram-se alguns
dias e quase tudo estava pronto para o casamento. Flores em vasos foram
replantadas em todo o jardim. O lugar do altar já estava sendo preparado. Os
convidados ficariam debaixo de uma cobertura, caso chovesse. Layla organizava
as funções de cada um para serem realizadas no dia a dia. Não passava muitas
coisas de uma vez para não deixar seus ajudantes sobrecarregados.
Ela estava feliz.
Mas ainda sentia muito a falta dos pais. Arrumou todos os cômodos da casa, mas
não tirou nada do lugar no quarto dos pais. Só arrumou tirando o pó e trocando
a roupa de cama.
Nos outros, ela
colocou cortinas novas, toalhas de mesa também novas e mandou pintar de outra
cor. Haveriam convidados e ela queria tudo perfeito.
Arrumou a bagunça
que seu tio dissera antes. Ele falava dos documentos de seu pai. Os empregados
estavam sem receber, já não queriam trabalhar. Achavam que ela não daria conta
e começavam a ir embora.
Ela foi ver o pai
de Alice e perguntou como teria o dinheiro do pai para solucionar os problemas
da fazenda. Claro que ele deu-lhe todas as informações e sugeriu ajudá-la, mas
ela não quis. Agradeceu e disse que devia isso aos pais, pela confiança no
último momento da vida deles. Com o dinheiro em mãos, mas sem que seu tio
soubesse, pediu que ele reunisse todos os empregados. Perguntou a cada um
quantos dias foram trabalhados e que eles não receberam. Com a informação em
mãos, anotando tudo, pediu que eles não fossem embora, e no fim do dia
seguinte, depois do trabalho a procurassem para receber. Eles confiaram nela, e
todos voltaram ao trabalho. Alguns ela colocou para realizar as obras do
casamento e outros no jardim, outros na estrada até a divisa, para que as
pessoas vissem que ela sabia sim enfrentar um trabalho tão difícil como esse.
Layla estava
confiante, após alguns dias já havia preparado quase tudo. Precisaria contratar
mais pessoas, mas preferiu não fazer ainda, para não chamar mais atenção do que
já estava. Tudo encaminhado, ela chamou Alice para ajudá-la a preparar-se.
Alice estava com ela quase sempre, e não podia dizer ao Born como ela estava se
saindo. Ela queria que ele se surpreendesse.
O grande dia
chegou. Todos os convidados em seus lugares, os músicos a postos, Layla
aguardava somente a chegada do noivo, pois sua família já estava presente.
Foi quando bateram
em sua porta. Ela abriu e...
_ Papai? Mamãe?
_ Nós não podíamos perder seu grande dia filha.
_ Como? Eu recebi as cartas. Encontrei a casa vazia e
abandonada. Chorei muito achando que estava sozinha. Como puderam fazer isso
comigo?
_ Layla, não chore, vai estragar a maquiagem.
_ Como não chorar, estou me sentindo enganada, pelos próprios
pais. Pela segunda vez.
_ Layla, a culpa de tudo isso é minha. Mas podemos explicar.
Quando Amélia esteve aqui, vi em seu pescoço o símbolo de nossos inimigos. Há
muitos anos os antepassados dela começaram a nos caçar feito animal, mas você
já sabe sobre isso. Vendo o estado de seu braço e sua única chance de cura
estar nas mãos deles, arrisquei sua vida entregando-a para aquela viagem. Pedi
que Marie fosse com você, pois já desconfiava de seu problema de saúde. Não
sabia o que era, mas notava que ela estava ficando frágil e apática.
_ Como sabia que não nos faria mal?
_ Não sabia, por isso mandei dois empregados da fazenda para
vigiar. Nós estávamos sabendo de tudo o que acontecia e quando fomos informados
do seu romance com Scott decidimos fingir nossa morte para poder ficar mais
perto sem sermos notados.
_ Mas por que só voltaram agora?
_ Sua mãe estava realmente doente e precisamos ficar um pouco
mais para que terminasse o tratamento. Além disso, queria ver como você lidaria
com tudo isso. Sei que fiz você sofrer filha e espero que possa me perdoar
algum dia. Eu sempre quis um filho e quando você nasceu tudo mudou. Eu não
queria um filho porque seria homem, eu queria um filho porque ele saberia se
cuidar. Então planejei tudo para que você não sofresse da forma que as mulheres
sofrem. Por isso permiti que estudasse e tivesse seus momentos de aventura.
Isso fez você e sua amiga Alice não serem bem vistas na cidade, porém não podia
impedir que fosse feliz. Sinto muito Layla, por ter mentido tanto para você.
_ Eu perdoo sim papai, mas com uma condição.
_ E qual seria?
_ Me acompanha até o altar?
_ Claro filha. Eu amo você!
O noivo havia
chegado e já estava nervoso, pois Layla ainda não dera sinal de vida e o tio
Joseph estava lá, num canto sentado calado. Ninguém sabia o que estava
acontecendo e já começavam a dizer que a noiva desistira do casamento, nesse
momento a música começou. Layla estava de braços dados com ninguém menos que
seu “Pai?”. Todos ficaram surpresos, principalmente o noivo. Seria uma longa
explicação que não foi dada. Só:
_ Tiramos férias pessoal.
Ao chegar ao altar
Layla não conteve uma lágrima.
_ Filho estou a te conhecer nesse momento, mas se conquistou o
coração de minha filha, certamente conquistará o meu. Cuide bem do meu tesouro.
_ Claro Senhor Grace.
_ Layla filha, eu te abençoo em sua escolha. Seja feliz.
_ Obrigada papai.
A cerimônia não vem
ao caso, porque não aconteceu. Todos preocupados com a noiva, que nem notaram
que o padre não estava presente. Os noivos resolveram que a festa aconteceria.
Afinal, não foi culpa de ninguém o padre sofrer um acidente indo para a
fazenda.
_ Layla, você viu o que aconteceu?
_ O que Alice? Vai dizer que o Born não é o rapaz certo e os
anjos vieram avisar? (Risos).
_ Não. Ele é o seu rapaz certo, mas falta o meu.
_ E o que isso tem a ver com o casamento?
_ A aposta Layla.
_ Vai dizer que acredita nisso? Fazíamos por diversão.
_ Mas veja. Estamos empatadas porque você quase venceu, mas se
machucou. E hoje o padre se acidentou e continuamos empatadas.
_ Ou apostamos de novo e eu ganho ou você se casa no mesmo dia.
O que vai ser?
_ Acho que consigo tornar-me uma Grace em pouco tempo.
_ Como assim?
_ Na noite do seu jantar conheci Oliver Grace. Desde então
tenho recebido seus recados apaixonados.
_ Alice, não pode se casar por bilhetes apaixonados.
_ Acontece que foram mais que bilhetes apaixonados enquanto
estávamos lá. Eu não contei nada porque queria fazer uma surpresa. Meu
casamento é no próximo mês, mas podemos aproveitar a família e os amigos
reunidos. O que acha?
_ Alice... Parabéns minha amiga. A profecia será cumprida.
Estamos empatadas, então casamos no mesmo dia. Pode anunciar.
_ E seremos muito felizes.
_ Com certeza.
_ Posso roubar a noiva?
_ Claro Born. Ela é sua.
_ Layla, que tal realizar esse casamento longe daqui?
_ Você sabe que eu não gostaria disso Born. E teremos mais um
casal no altar.
_ Quem?
_ Alice e Oliver Grace.
_ Sério?
_ Sim. E acho que eles já têm tudo pronto.
_ Fim de semana?
_ Pode ser, estou ficando ansiosa para ser a Sra. Lewis...
Fim.

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